As eleições legislativas de 2026 em Cabo Verde trouxeram um novo governo, com o PAICV a conquistar a maioria absoluta e o MPD a sofrer uma derrota significativa após uma década no poder. A elevada taxa de abstenção, que ultrapassou os 53%, levanta questões sobre a legitimidade do novo governo e a saúde da democracia no país. João de Deus Carvalho, um analista político, expressa preocupação com o desinteresse dos eleitores, que pode indicar um desgaste da democracia cabo-verdiana. Carvalho argumenta que a abstenção representa um 'cartão vermelho' ao governo anterior, sugerindo que a falta de renovação do mandato é um sinal de descontentamento popular. Ele destaca que a participação cívica é fundamental para a legitimidade de qualquer governo, e que a democracia deve ser vivida ativamente pelos cidadãos. A situação atual, com um governo legal mas com legitimidade questionável, é um reflexo de um problema mais amplo que afeta a democracia ocidental. A vitória do PAICV com maioria absoluta é vista como uma forma de evitar a ingovernabilidade, uma vez que facilita a aprovação de moções de confiança no Parlamento. Carvalho acredita que essa mudança é crucial para o funcionamento das instituições em Cabo Verde, especialmente em um cenário político marcado por ressentimentos entre os partidos. A análise das eleições e suas consequências será vital para entender o futuro político do país.