As eleições legislativas de 2026 em Cabo Verde trouxeram mudanças significativas, com o PAICV a regressar ao poder com uma maioria absoluta, enquanto o MpD saiu derrotado após uma década de governação. A elevada taxa de abstenção, com mais de 50% dos eleitores a não votarem, levanta questões sobre o envolvimento cívico e a confiança na política. António Ludgero Correia, em entrevista, analisa a campanha eleitoral, destacando que muitos candidatos não conseguiram convencer os eleitores com propostas concretas, mas sim com campanhas superficiais. Correia argumenta que o MpD perdeu a confiança do eleitorado já na pré-campanha, especialmente com a caravana do Primeiro-Ministro, que foi vista como uma demonstração de desespero e má gestão dos recursos públicos. Ele critica a escolha de ministros mais velhos e a exclusão de jovens, o que pode ter contribuído para a insatisfação dos eleitores. A análise dos resultados revela que, apesar da derrota do MpD, o PAICV não recebeu um apoio incondicional, indicando que os eleitores estão a exigir mais responsabilidade e compromisso dos seus representantes. A entrevista também aborda a dinâmica entre os partidos menores e a necessidade de renovação na política cabo-verdiana, com o PTS a emergir como uma nova força. A situação atual coloca desafios para o novo governo do PAICV, que deve responder às expectativas de um eleitorado mais exigente e consciente.