Em janeiro, durante as obras de reabilitação do Museu Municipal de São Filipe, foi descoberto um manuscrito datado de 17 de fevereiro de 1897, escrito por Francisco do Sacramento Monteiro. Este documento, que não era destinado aos seus contemporâneos, traça a genealogia da sua família e reflete sobre a importância das instituições vinculadas e da 'Casa' no contexto social da época. A carta termina com uma frase trágica: 'Não teem filhos', que simboliza a luta pela preservação do legado familiar. O autor da carta buscou simplificar a sua história familiar, criando uma narrativa que, embora mítica, não corresponde totalmente à realidade histórica. O cruzamento de documentos revela que as capelas foram fundadas isoladamente e só mais tarde se uniram sob o controle da sua família, refletindo uma complexa teia de heranças e casamentos. Essa concentração de terras é uma das maiores clivagens sociais na história de Cabo Verde. A ocultação do manuscrito na estrutura da casa é vista como um ato de legitimação social e um grito de nostalgia por um passado que já não existe. A análise deste documento permite uma reflexão profunda sobre as dinâmicas de poder e a construção da identidade familiar em Cabo Verde.