O sistema de saúde público em Cabo Verde tem demonstrado sinais alarmantes de ineficiência, dificultando o acesso equitativo aos cuidados de saúde para todos os cidadãos. Esta situação tem empurrado muitos cabo-verdianos para o setor privado, onde, ironicamente, encontram os mesmos profissionais que não lhes prestaram a devida atenção no setor público. Contudo, a transição para o privado não é uma solução segura, pois a mercantilização dos serviços de saúde tem levado a preços desajustados da realidade socioeconómica do país. Além disso, as leis de comparticipação do Estado revelam-se inadequadas, exacerbando a situação. É importante ressaltar que a crítica não é uma oposição à iniciativa privada, mas sim um apelo por um setor privado de qualidade que ofereça serviços justos e humanos. A complementaridade entre os setores público e privado é vista como a solução mais sensata para garantir acesso à saúde para todos. Os relatos de pacientes indicam uma realidade preocupante, onde a indicação de exames médicos muitas vezes é acompanhada de direcionamentos específicos para locais que podem não ser acessíveis financeiramente. Isso cria um ciclo vicioso que não apenas alarmam os pacientes, mas também os força a buscar recursos que não possuem, apenas para alimentar a mercantilização da saúde. A triste realidade é que muitos pacientes acabam por buscar tratamentos no exterior, enfrentando custos elevados e atrasos que podem agravar suas condições de saúde. A saúde privada em Cabo Verde corre o risco de se tornar um mero espaço comercial, onde as necessidades financeiras de médicos e clínicas se sobrepõem ao cuidado genuíno dos pacientes. A saúde deve ser vista como um direito, não como um negócio, e a vida humana deve ser um fim em si mesma, não um meio para o lucro.