Na sua recente entrevista, o deputado do PSD, Gonçalo Capitão, introduziu o conceito de 'eutanásia política', refletindo sobre a atual pré-campanha em Cabo Verde. Ele destaca como os cortes sucessivos e silêncios convenientes dentro dos partidos estão a levar a um esvaziamento da sua essência, com listas eleitorais que deveriam representar a diversidade e a visão estratégica, mas que se tornaram instrumentos de controle interno. A exclusão de militantes com pensamento crítico e independência é uma preocupação crescente, pois esses indivíduos estão a ser substituídos por nomes obedientes que não desafiam a liderança. Esta dinâmica transforma os partidos em meros espaços de validação, onde a verdadeira discussão política é suprimida. Além disso, Capitão menciona a divisão crescente entre militantes e simpatizantes, onde aqueles que realmente construíram os partidos estão a ser eclipsados por novos membros que aparecem apenas em momentos oportunos. Esta situação resulta na perda de raízes ideológicas e na criação de partidos que não se reconhecem na sua própria base. Por fim, o fenómeno de militantes que mudam de partido sem uma ruptura ideológica clara levanta questões sobre a verdadeira natureza das convicções políticas em Cabo Verde. O resultado é uma crise de identidade nos partidos, que perdem a capacidade de mobilizar com base em ideias e se tornam dependentes de slogans vazios e cálculos estratégicos.

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Eutanásia Política: A Crise dos Partidos em Cabo Verde
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