Ulisses Correia e Silva, presidente do Movimento para a Democracia (MpD), expressou a necessidade de um debate abrangente sobre o financiamento de partidos políticos que não possuem assento parlamentar. Esta posição surge em resposta ao Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS), que propôs o financiamento público para todos os partidos legalizados, visando uma participação política mais constante e não apenas em períodos eleitorais. O líder do MpD reconhece que o modelo atual, que condiciona o financiamento à representação parlamentar, está em vigor há anos, mas enfatiza que a discussão sobre o financiamento deve ser aberta e inclusiva. Além disso, Correia e Silva sublinhou que a funcionalidade dos partidos não deve depender apenas de recursos financeiros. Ele argumenta que as organizações políticas devem manter uma atividade regular ao longo do ciclo político, independentemente do financiamento. Para ele, é essencial que os partidos realizem reuniões, congressos e eleições periódicas para garantir uma representação efetiva. O presidente do MpD também destacou a importância da responsabilização e fiscalização das formações políticas, um papel que atribui ao Tribunal Constitucional. Ele alertou que a mera existência formal dos partidos, sem um funcionamento efetivo, não contribui para a vitalidade do sistema político. O objetivo, segundo ele, deve ser o fortalecimento do pluralismo democrático em Cabo Verde, através de partidos que sejam ativos, transparentes e comprometidos com a participação cívica. Em relação às críticas da oposição sobre o uso indevido de recursos públicos, Correia e Silva rejeitou as acusações, afirmando que o governo está tranquilo quanto à legalidade de suas ações.