A vice-presidente da Associação Cabo-verdiana de Surdos (ACS), Adelcia Tavares, compartilhou sua experiência de 25 anos na luta pela inclusão e educação de pessoas surdas em Cabo Verde. Desde o início de sua trajetória em 2001, Tavares tem enfrentado desafios relacionados ao acesso à língua gestual e à igualdade de oportunidades para alunos surdos. Ela destacou que, nos anos 90 e início de 2000, esses alunos frequentavam escolas sem suporte adequado, o que limitava seu aprendizado e reforçava a exclusão. Com o trabalho da ACS, houve avanços significativos, especialmente a partir de 2011, com a integração de alunos surdos no ensino secundário. A presença de intérpretes e a formação de professores têm contribuído para o sucesso acadêmico desses estudantes, permitindo que muitos concluam seus estudos e sigam carreiras profissionais. Tavares enfatizou a importância da motivação e do apoio contínuo para as novas gerações. Apesar dos progressos, a qualidade do ensino ainda é uma preocupação, com alunos enfrentando dificuldades de leitura e escrita. A ACS está focada em melhorar as metodologias de ensino e na formação de docentes para atender melhor às necessidades dos alunos surdos. Além disso, a associação planeja introduzir conteúdos de língua gestual na televisão pública para aumentar a sensibilização e o acesso à comunicação. Tavares defende que as pessoas surdas têm potencial e precisam de oportunidades para se integrar plenamente na sociedade e no mercado de trabalho. A participação ativa da comunidade surda na defesa de seus direitos é fundamental para garantir uma educação de qualidade e a autonomia desejada.