Uma recente reportagem do Wall Street Journal destaca que o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas do Brasil, tem usado Cabo Verde e Guiné-Bissau como rotas intermediárias para o tráfico de drogas rumo à Europa. Os narcóticos são armazenados nesses países e enviados para Portugal, disfarçados em cargas de frutas ou madeira, aproveitando a língua portuguesa e os laços comerciais entre as nações. O PCC, que evoluiu de uma irmandade carcerária para uma rede internacional, utiliza técnicas avançadas para garantir a eficácia de suas operações, como o método 'rip-on/rip-off', onde a cocaína é inserida em contentores legítimos sem o conhecimento dos exportadores. A organização também diversificou suas operações para portos do Nordeste e Paranaguá, no Brasil, buscando áreas com menos fiscalização. Além disso, a aliança estratégica com a máfia italiana 'Ndrangheta permite ao PCC atuar como fornecedor de drogas em grande escala, enquanto o grupo europeu cuida da distribuição na Europa. O modelo de negócios do PCC se assemelha a uma franquia, onde os membros mantêm autonomia operacional, o que tem contribuído para sua rápida expansão internacional. O impacto dessa atuação é sentido em diversos países, com aumento da violência em regiões como Paraguai e Equador, enquanto as autoridades enfrentam dificuldades para conter a organização, que continua a operar a partir de presídios de segurança máxima. Recentemente, os Estados Unidos consideraram a possibilidade de classificar o PCC como uma organização terrorista, gerando debates sobre a natureza das organizações criminosas.