A recente crise no Médio Oriente levanta novas incertezas para a economia de Cabo Verde, que, segundo o FMI, deverá crescer 4,8% em 2026. Este crescimento, embora acima da média da África Subsaariana, está ameaçado pelo aumento dos preços do petróleo e do gás, que afetam diretamente os países importadores como Cabo Verde. O FMI destaca que, apesar da resiliência da economia cabo-verdiana, os riscos negativos são significativos e dependem da duração das tensões no Golfo Pérsico. António David, subchefe da Divisão de Estudos Regionais do FMI, enfatiza a importância de continuar as reformas nas empresas públicas e diversificar a economia. A eficiência e transparência nas empresas públicas são cruciais para mitigar riscos orçamentais e melhorar a prestação de serviços. Além disso, a diversificação dentro do setor do turismo é vista como uma oportunidade para fortalecer a economia. O impacto da crise no Médio Oriente também se reflete na redução da ajuda externa, que já começou a contrair em 2025. Os países de baixo rendimento, como Cabo Verde, são os mais vulneráveis a essa situação, o que pode agravar ainda mais os desafios económicos. O FMI recomenda que o país continue a adotar políticas que promovam a resiliência económica e a diversificação, especialmente no que diz respeito ao turismo e ao transporte entre as ilhas.