De acordo com Deisa Semedo, investigadora do Centro de Investigação em Género e Família (CIGEF), um estudo recente não conseguiu determinar a prevalência da Mutilação Genital Feminina (MGF) em Cabo Verde devido ao estigma associado ao tema. A pesquisa, que envolveu profissionais de saúde e sobreviventes, revelou que, embora não haja evidências de práticas de MGF no país, existem casos de mulheres que sofreram essa mutilação em seus países de origem. O estudo foi realizado em ilhas com alta concentração de comunidades imigrantes e incluiu visitas a Portugal para entender melhor a realidade da MGF. A falta de conhecimento sobre a legislação e a classificação da MGF como crime público foram identificadas como barreiras significativas para o combate a esta prática. Iniciativas como cursos de formação para profissionais de saúde estão a ser implementadas para melhorar a sensibilização e a intervenção junto das comunidades. Deisa Semedo enfatiza a importância de informar e educar tanto os profissionais de saúde quanto a população em geral para combater o estigma e a discriminação enfrentados por sobreviventes da MGF.