Nos debates sobre políticas públicas em Cabo Verde, a noção de que estudos e consultorias são indispensáveis para legitimar o financiamento de reformas é frequentemente aceita sem questionamento. No entanto, essa crença esconde uma falácia, pois a existência de estudos não garante que as políticas implementadas atendam às necessidades reais do país. O artigo critica a reforma educativa iniciada em 2018, financiada pelo Banco Mundial, questionando se a reescrita curricular era realmente a prioridade do sistema educativo cabo-verdiano. A análise sugere que, mesmo com estudos realizados, é crucial avaliar sua natureza e a forma como suas recomendações são incorporadas nas decisões políticas. A centralidade dada à reescrita curricular na reforma é vista como uma abordagem tradicional que não necessariamente resulta em melhorias nas aprendizagens. O autor defende que investimentos devem focar em competências de leitura, autonomia do aluno e práticas pedagógicas inovadoras. O artigo conclui que uma reforma educativa não pode ser efetiva se não aborda as dimensões estruturais do sistema, como hábitos de leitura e mediação pedagógica. Portanto, é essencial que os decisores políticos considerem não apenas a existência de estudos, mas também sua relevância e aplicação prática nas realidades locais.