Um recente estudo académico, elaborado por investigadores da Universidade de Georgetown e do think tank The Digital Economist, indica que a China tem consolidado sua presença em países lusófonos da África Ocidental, incluindo Cabo Verde. Os autores do relatório destacam que esses países, historicamente marcados pela fragilidade económica e política, veem na parceria com a China uma alternativa viável às suas ligações tradicionais com o Ocidente. O estudo enfatiza que a China está a construir relações mais estreitas com os países de língua portuguesa, especialmente através da ligação cultural com Macau. Além disso, a China tem um histórico de apoio a regimes comunistas durante os primeiros anos de independência destes países. A atual situação política e económica alinha-se com as prioridades de investimento direto estrangeiro da China, especialmente na promoção de inovações tecnológicas avançadas. Em Cabo Verde, os investimentos chineses têm se concentrado no turismo e nas tecnologias de informação e comunicação, com projetos significativos como a instalação de cabos submarinos de fibra ótica pela Huawei. O estudo observa que Cabo Verde, com sua intermediação financeira fraca e escassa diversidade de recursos naturais, depende fortemente do investimento externo direto para impulsionar sua economia. No contexto mais amplo, a pesquisa sugere que a presença da China nos países lusófonos não apenas fortalece as relações económicas, mas também promove a disseminação de tecnologia avançada, o que é visto como uma prioridade tanto para a China quanto para os países envolvidos. A análise conclui que a China está a estabelecer uma penetração de mercado significativa em Cabo Verde e outros países lusófonos, o que pode ter implicações duradouras para o desenvolvimento regional.