A Agência Internacional de Energia (AIE) publicou um relatório alertando para os níveis muito elevados de metano e o seu impacto na segurança energética. O documento sublinha que medidas de mitigação comprovadas poderiam representar o dobro do volume de gás natural que transita anualmente pelo estreito de Ormuz, atualmente bloqueado em parte pelo Irão. A AIE enfatiza que a redução das emissões de metano é crucial, especialmente em tempos de crise energética, e que soluções viáveis já existem. O relatório revela que a produção recorde de petróleo, carvão e gás em 2025 foi responsável por 35% das emissões de metano causadas pela atividade humana, totalizando cerca de 124 milhões de toneladas. A AIE sugere que a adoção de medidas simples poderia liberar rapidamente aproximadamente 15 mil milhões de metros cúbicos de gás. A longo prazo, as iniciativas globais para reduzir as emissões de metano poderiam contribuir com cerca de 100 mil milhões de metros cúbicos anuais. Tim Gould, economista-chefe da AIE, afirmou que combater o metano e a queima de gás não é apenas uma questão climática, mas também traz benefícios significativos para a segurança energética. O relatório destaca que cerca de 70% das emissões do setor de combustíveis fósseis poderiam ser evitadas com tecnologias existentes, e que mais de 35 milhões de toneladas poderiam ser eliminadas sem custos adicionais. O estudo também menciona o papel crescente dos satélites na detecção de grandes fugas de metano, melhorando a resposta dos governos e operadores. Apesar dos compromissos internacionais, a AIE alerta para um fosso significativo entre as metas anunciadas e a implementação efetiva, com políticas atuais permitindo apenas uma redução de 20% das emissões do setor até 2030, abaixo da meta global de 30%.