O Governo de Cabo Verde está a tomar decisões sobre o futuro do país com base em paradigmas antiquados, como evidenciado pela privatização da CV Handling. A venda de 51% da empresa à multinacional Swissport por 36 milhões de euros resulta na entrega da gestão dos serviços de assistência em aeroportos a interesses privados, levantando questões éticas e de soberania. A assinatura do contrato a poucos dias das eleições compromete a legitimidade democrática e impede uma reavaliação por parte do novo governo. Além disso, a decisão revela um analfabetismo digital, ao ignorar que o setor de handling é crucial para a eficiência aeroportuária, funcionando como um centro de dados e inteligência. A transferência de controle para o capital privado estrangeiro despoja o Estado do domínio sobre informações estratégicas, tratando-as como ativos obsoletos. Por último, a alienação de infraestruturas críticas num contexto de fragmentação global ignora a necessidade de autonomia e segurança nacional. A privatização do coração operacional do arquipélago, em um momento de incerteza internacional, representa uma troca de resiliência estratégica por alívio financeiro imediato, repetindo erros históricos que fragilizam a soberania de Cabo Verde.