O texto aborda a preocupação com a qualidade das aprendizagens em Cabo Verde, especialmente no contexto das reformas educativas de 2006 a 2026. O autor, que participou diretamente em processos de inovação curricular, observa um silêncio alarmante sobre a educação e a preservação da identidade cultural durante os debates políticos atuais. As reformas implementadas nas últimas duas décadas, embora promissoras, revelam um desalinhamento estrutural entre as intenções políticas e as práticas educativas efetivas. A reforma de 2006 a 2016 visava atualizar a reforma dos anos 90, mas falhou em sua implementação devido à falta de instrumentos operacionais e uma avaliação centrada em testes escritos. A ausência de condições estruturais adequadas comprometeu a efetividade da reforma, que não carecia de uma base conceitual, mas sim de condições práticas para sua execução. Entre 2016 e 2021, o governo reconheceu a necessidade de reformar o modelo de avaliação, mas a nova reforma curricular de 2018 não aprofundou a lógica das competências, optando por uma reescrita integral que não abordou os problemas identificados anteriormente. Essa falta de continuidade e coerência nas reformas educativas levanta questões sérias sobre a qualidade das aprendizagens e a eficácia do sistema educativo em Cabo Verde.