O Instituto do Património Cultural (IPC) anunciou o início dos primeiros trabalhos arqueológicos no Campo de Concentração de Presos Políticos do Tarrafal, atualmente conhecido como Museu da Resistência. Esta ação, que coincide com o 52º aniversário da libertação do campo, é realizada em colaboração com a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. A intervenção do IPC faz parte de um esforço para candidatar o Campo do Tarrafal a Património Mundial da UNESCO, uma prioridade estratégica do governo para valorizar e preservar o património histórico nacional. O objetivo é reforçar o reconhecimento deste local como um símbolo de resistência, liberdade e dignidade humana. Os trabalhos arqueológicos visam identificar vestígios da antiga 'frigideira', uma cela de isolamento utilizada como forma de punição, além de valorizar áreas atualmente desqualificadas. A pesquisa também busca aprofundar o conhecimento sobre as transformações arquitetónicas e espaciais do complexo ao longo de sua história. O Campo de Concentração do Tarrafal operou em duas fases sob a administração colonial portuguesa, de 1936 a 1954 e de 1961 a 1974. O IPC destaca que a compreensão das alterações estruturais e funcionais ocorridas durante esses períodos é um dos principais objetivos desta investigação arqueológica.