Os debates eleitorais em Cabo Verde, embora bem conduzidos pelos jornalistas, não conseguem esclarecer plenamente as propostas dos candidatos, servindo mais para animar as claques nas redes sociais. A tendência de voto do eleitorado não é significativamente influenciada, exceto por uma fração que pode optar por pequenos partidos de protesto, como o PTS, que se destacou com a sua líder Jónica Brito, atraindo a atenção da juventude e das mulheres. Apesar do crescimento esperado do PTS, a possibilidade de eleger um deputado parece remota, embora o partido possa consolidar-se como uma força crescente no futuro. O PP, liderado por Amândio Vicente, também poderá captar votos de uma faixa etária mais velha, mas sem se constituir como uma alternativa viável. A UCID, que busca ser uma alternativa ao bipartidarismo, enfrenta dificuldades em se afirmar no atual contexto de polarização política. A possibilidade de manter o número de deputados em São Vicente e eleger Alberto Mello em Santiago Sul é um objetivo que ainda pode ser alcançado, mas a sua capacidade de se tornar uma força política relevante continua incerta. O crescimento da UCID em Santo Antão e a afirmação de figuras como Aldirley Gomes no Sal são sinais de que há espaço para novas vozes, mas a polarização e a falta de uma mensagem clara dificultam a sua ascensão. A democracia em Cabo Verde perde ao não aproveitar o potencial de candidatos que poderiam enriquecer o debate político na Assembleia Nacional.