Os dados mais recentes indicam que o Movimento para a Democracia (MpD) pode enfrentar uma derrota eleitoral pesada nas próximas eleições legislativas, agendadas para 17 de maio de 2026. A avaliação do governo de Ulisses Correia e Silva é amplamente negativa, com 39% dos eleitores a desaprová-lo, enquanto apenas 47% expressam aprovação. Para garantir a reeleição, um governo precisa de uma avaliação positiva superior a 60%, e mesmo entre os que aprovam o governo, apenas 41% manifestaram intenção de votar a favor do MpD. Além disso, o desempenho do MpD no governo entre 2016 e 2026 tem sido criticado, com promessas não cumpridas em áreas como emprego e segurança. A recente transição autárquica de 2024, onde o PAICV assumiu o controle da maioria das câmaras municipais, também reflete a perda de influência do MpD, que anteriormente dominava a cena política local. A erosão do eleitorado do MpD é particularmente evidente na Praia, onde as intenções de voto caíram drasticamente de 72% em 2011 para apenas 35% em 2024. Essa queda representa uma perda de mais de 30.000 votos em termos absolutos, evidenciando um descontentamento crescente entre os eleitores. A insatisfação com o governo é corroborada por dados que indicam que 65% dos eleitores acreditam que o governo está a seguir na direção errada, refletindo um descontentamento generalizado com as políticas implementadas. A situação é ainda mais complicada pelo aumento da desigualdade económica, com o índice Gini a subir de 0,42 em 2015 para 0,49 em 2019. Este aumento na desigualdade coloca Cabo Verde entre os países com as piores concentrações de renda no mundo, o que agrava as preocupações da população, especialmente em relação ao desemprego, que continua a ser o principal problema para 24,2% dos eleitores.