Cabo Verde está a lidar com um paradoxo preocupante: apesar dos investimentos na formação dos jovens, muitos deles estão a emigrar ou a trabalhar em empregos que não correspondem às suas qualificações. Este desajuste entre o capital humano formado e a capacidade da economia em absorver esses talentos é um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do país. Para superar este desafio, é necessário um alinhamento entre a educação e o mercado de trabalho, bem como uma modernização da administração pública e um fortalecimento do setor privado. A Geração Z, que busca mais do que apenas diplomas, exige aplicabilidade e oportunidades reais de criar valor. O país deve focar em setores com potencial competitivo, como o turismo de alto valor, serviços internacionais, economia azul, energias renováveis e agricultura inteligente. Sem essa sintonia, Cabo Verde continuará a formar talentos que acabam por ser exportados, desperdiçando um recurso valioso. Além disso, a eficiência do Estado é crucial para a sobrevivência económica. Um aparelho público pesado e burocrático limita a iniciativa privada e agrava a situação quando decisões parecem favorecer interesses específicos. Para uma geração habituada à rapidez digital, a lentidão e falta de transparência nas administrações representam uma perda de oportunidades. O fortalecimento do setor privado é essencial para transformar a economia. A dependência excessiva do Estado e do turismo sazonal torna a economia vulnerável. É fundamental que o crescimento seja impulsionado por empresas que inovem e criem valor local, permitindo assim a retenção de talentos e a construção de um futuro atrativo para os jovens. Nas eleições de 17 de Maio, Cabo Verde não está apenas a escolher partidos, mas a decidir se terá coragem de construir uma economia que valorize e realize o potencial da sua juventude no próprio país.