Durante uma apresentação sobre a operacionalização das diretivas fiscais da CEDEAO, o FAFOA enfatizou que a falta de harmonização nas legislações fiscais entre os Estados-membros resulta em sérias brechas que favorecem práticas como a evasão fiscal e o comércio ilícito. Com a África a perder cerca de 89 mil milhões de dólares anualmente devido a fluxos financeiros ilícitos, a situação torna-se ainda mais crítica num contexto de redução da ajuda internacional e aumento da dívida pública, especialmente para economias pequenas como a de Cabo Verde. O FAFOA destacou que a CEDEAO já possui um conjunto de diretivas fiscais que podem ser utilizadas para criar um quadro fiscal regional coerente, o que beneficiaria o funcionamento do mercado comum e aumentaria a arrecadação de receitas domésticas. Para Cabo Verde, a implementação eficaz dessas diretivas representa uma oportunidade para reforçar a justiça fiscal, reduzir o risco de dupla tributação e aumentar a confiança dos investidores. Além disso, a Tax Justice Network Africa sublinhou que os desafios da governação fiscal estão intimamente ligados à exploração de recursos naturais e à transição energética justa. Apesar de Cabo Verde não ser um grande produtor de recursos minerais, a má governação fiscal regional afeta todos os países da CEDEAO, resultando em perdas de receitas e menor capacidade de financiar estratégias de desenvolvimento sustentável. As apresentações também ressaltaram a importância do papel ativo dos parlamentos nacionais na implementação das diretivas da CEDEAO, na fiscalização dos incentivos fiscais e na promoção da transparência. A integração fiscal regional é vista como um instrumento político essencial para garantir maior equidade e soberania financeira nos Estados-membros, sendo crucial para Cabo Verde fortalecer sua posição no mercado regional.