Recentemente, arqueólogos detetaram vestígios materiais associados à cela conhecida como 'Frigideira', que foi um dos principais dispositivos de punição extrema no campo de concentração do Tarrafal. Esta estrutura, que simboliza a repressão durante a ditadura portuguesa, foi construída após uma tentativa de fuga coletiva em 1937 e era caracterizada por privação de ventilação e isolamento prolongado. A campanha arqueológica em curso no antigo campo de concentração, atualmente Museu da Resistência, está a ser realizada pelo Instituto do Património Cultural de Cabo Verde, com a colaboração de André Teixeira, professor da Universidade Nova de Lisboa. O objetivo é documentar e interpretar a evolução do complexo, focando nas estruturas de controle e repressão. O campo de concentração do Tarrafal, que operou sob domínio colonial português, encarcerou mais de 500 presos políticos entre 1936 e 1974. A intervenção arqueológica não só visa resgatar a memória histórica, mas também preparar a candidatura do local a Património Mundial da UNESCO, destacando a importância de preservar a história da resistência e da luta pela liberdade em Cabo Verde.