O artigo discute a transformação da imagem do empreendedorismo em Cabo Verde, que antes era visto como uma forma de exclusão e sofrimento, mas agora é promovido como uma virtude nacional. No entanto, a juventude não se deixa enganar por essa narrativa, exigindo uma verdadeira capacitação e um mercado que não transforme a sobrevivência em heroísmo diário. Os jovens clamam por uma estratégia nacional de desenvolvimento de competências que inclua currículos rigorosos e parcerias com instituições internacionais. Eles desejam um ecossistema profissional que funcione de verdade, com acesso a financiamento adequado e uma administração pública que facilite o processo em vez de criar obstáculos. A crítica se estende à superficialidade das soluções propostas, como microcréditos e workshops motivacionais, que não resolvem os problemas estruturais enfrentados. A nova geração não quer ser reconhecida apenas por sobreviver, mas busca condições reais para prosperar e planejar o futuro sem incertezas. O artigo conclui que Cabo Verde precisa deixar de celebrar a sobrevivência e começar a construir as condições para uma verdadeira prosperidade, onde a dignidade não precise ser rebatizada para ser respeitada.