O Banco de Cabo Verde (BCV) anunciou que a economia nacional deverá abrandar para 4,5% em 2026, refletindo a instabilidade internacional e a diminuição do consumo privado. O relatório destaca que, em 2025, o crescimento foi de 6,3%, abaixo dos 7% de 2024, devido à fraca procura externa e ao aumento das importações. Embora a construção tenha mostrado sinais de recuperação, o consumo privado cresceu apenas 2,9%, impactado pela inflação elevada. A inflação média anual subiu para 2,3% em 2025, pressionada pelo aumento dos preços dos produtos alimentares e dos custos de transporte. Para 2026, o BCV prevê um agravamento da inflação para 2,7%, impulsionado pelo aumento dos preços da energia e dos alimentos no mercado internacional. O turismo, um dos principais motores da economia, também mostrou sinais de desaceleração, com um crescimento de 9,6% nas exportações de serviços turísticos, abaixo dos 19,1% de 2024. Apesar disso, as remessas dos emigrantes continuam a crescer, embora de forma mais moderada, aumentando 2,5% em 2025. As contas externas, no entanto, apresentaram um desempenho favorável, com um excedente de 3,7% do PIB e reservas internacionais líquidas que atingiram 1.064,5 milhões de euros, suficientes para cobrir 8,8 meses de importações. O BCV alerta que os riscos inflacionistas poderão intensificar-se devido à instabilidade geopolítica.