O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a inflação em Cabo Verde poderá subir para 2,7% em 2026, devido ao aumento dos preços da energia, petróleo e alimentos no mercado internacional. O Banco de Cabo Verde (BCV) afirma que, até agora, o país tem capacidade para lidar com os impactos imediatos das tensões geopolíticas, especialmente a guerra no Médio Oriente, graças às suas reservas externas e almofadas orçamentais. No entanto, o BCV alerta que um choque prolongado poderá exigir ajustes de política mais profundos para proteger as populações vulneráveis e controlar a dívida pública. O BCV manteve a taxa de juro de referência em 2,5%, com um crescimento do PIB de 6,3% em 2025 e uma inflação média anual de 2,3%. As reservas internacionais líquidas atingiram cerca de 1,1 mil milhões de euros, o que equivale a aproximadamente nove meses de importações. Apesar do desempenho positivo da economia em 2025, as perspetivas para 2026 são mais desafiantes devido ao agravamento das tensões geopolíticas. O BCV prevê um crescimento econômico de 5% em 2026, próximo do seu potencial, mas com um aumento da inflação refletindo a evolução dos preços das importações. O FMI também destaca que Cabo Verde está exposto ao aumento dos preços da energia e alimentos importados, além de possíveis reduções no turismo e remessas, caso a procura externa diminua. O país, embora bem posicionado para absorver os efeitos imediatos, poderá enfrentar desafios se os choques se prolongarem.