O Banco Central de Cabo Verde (BCV) anunciou que a economia nacional deverá enfrentar um abrandamento até ao final deste ano, devido aos impactos da guerra no Médio Oriente e à situação global. O relatório de Política Monetária de Abril destaca que as tensões geopolíticas e o aumento dos preços do petróleo estão a pressionar os custos de energia, transporte e alimentos, afetando diretamente Cabo Verde, que depende fortemente de importações. As projeções do BCV indicam um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 5% em 2026, próximo do seu potencial, mas com uma recuperação moderada prevista para 2027, onde o crescimento deverá ser de 4,9%. A inflação, por sua vez, deverá aumentar para 2,7% em 2026, refletindo o impacto dos preços elevados de energia e alimentos importados, com uma expectativa de redução para 1,8% em 2027. O relatório também menciona que as contas externas deverão desacelerar, prevendo uma diminuição das receitas do turismo e das remessas. Apesar disso, as reservas internacionais devem manter-se em níveis confortáveis, garantindo cerca de 8,4 meses de importações em 2026. O BCV alerta, no entanto, que estas projeções estão sujeitas a um elevado grau de incerteza, especialmente devido à situação no Médio Oriente e ao comportamento dos preços internacionais da energia.