A história, quando esquecida, condena os povos a repetir os seus capítulos mais sombrios. A recente denúncia da Comissão Nacional de Eleições em Cabo Verde expõe a realidade inaceitável da distribuição de cestas básicas e outros bens às populações vulneráveis nas vésperas das eleições. Esta prática de privação programada visa explorar as fragilidades dos cidadãos em troca de votos, o que representa uma ofensa à dignidade cabo-verdiana. O voto é considerado o 'ovo de ouro' de cada cidadão, e entregá-lo em troca de esmolas governamentais perpetua um ciclo de dependência. As consequências desta asfixia socioeconómica são evidentes, com uma emigração em massa da juventude em busca de dignidade. O exílio económico não deve ser o único horizonte para o talento das ilhas. Cabo Verde precisa de uma liderança que aposte na emancipação económica dos seus cidadãos e que recuse a governar através da dependência. O povo cabo-verdiano, por sua matriz histórica, é resiliente e deve resistir às seduções eleitorais que instrumentalizam a pobreza. O voto livre e consciente é a única ferramenta capaz de estancar a emigração forçada e construir um país próspero.