Neste 90º aniversário da Claridade, Leão Lopes, artista plástico e pensador da cultura, reflete sobre o impacto desta revista na identidade cabo-verdiana. Ele argumenta que a Claridade não deve ser vista apenas como uma publicação literária, mas como um marco histórico que inaugurou uma nova consciência cultural e identitária em Cabo Verde. Lopes enfatiza que a revista representou uma ruptura com o pensamento herdado, permitindo que o país se observasse de dentro para fora, considerando suas particularidades sociais e históricas. Lopes também destaca que a Claridade foi um momento fundador no processo de afirmação de Cabo Verde como uma comunidade consciente de si mesma no espaço atlântico. Através da obra de escritores como Baltasar Lopes, Manuel Lopes e Jorge Barbosa, a revista ajudou a construir uma nação cultural, onde a linguagem e a memória desempenham papéis centrais. Além disso, Lopes menciona que as limitações impostas pelo colonialismo não impediram a criatividade e a afirmação cultural, mas sim instigaram um movimento crítico e estético. A Claridade, portanto, emerge como uma resposta a essas restrições, desafiando a marginalidade e promovendo uma nova forma de pensar e representar a realidade cabo-verdiana.