As eleições legislativas de 17 de maio de 2026 confirmaram a vitória do PAICV, mas a abstenção superior a 53% indica um desinteresse generalizado na política. Este fenômeno não reflete uma rejeição da democracia, mas sim uma fadiga em relação a um modelo de governação que apresenta ineficiências e altos custos operacionais. Cabo Verde, como um Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento, enfrenta desafios estruturais que exigem uma reforma institucional abrangente. A proposta de reforma inclui a reestruturação do aparelho do Estado, a descentralização económica e o fortalecimento do capital humano. A atual configuração semipresidencialista, embora tenha garantido estabilidade, precisa ser avaliada quanto à sua eficiência. A fragmentação administrativa, com 22 municípios para apenas nove ilhas habitadas, gera custos elevados e dificulta a implementação de políticas eficazes. Além disso, a redução do número de deputados no parlamento poderia otimizar recursos e profissionalizar o debate político. Essas reformas devem ser acompanhadas de auditorias independentes e maior transparência na execução orçamental. A descentralização económica e a especialização territorial são cruciais para criar valor em cada ilha, promovendo a autonomia económica local e a conectividade entre os diferentes clusters insulares.