O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) denunciou que o Governo cessante está a utilizar os últimos momentos do seu mandato para acelerar gastos públicos, o que poderá dificultar a gestão do novo Governo liderado por Francisco Carvalho. O secretário-geral do PAICV, Vladmir Silves Ferreira, afirmou que a situação é grave e que o atual Governo está a ocupar o Estado de forma a favorecer interesses políticos através de empresas públicas como a EDEC. Ferreira exemplificou a situação com um concurso público lançado pela EDEC para a aquisição de novas viaturas, apenas três dias após as eleições legislativas, questionando se essa deveria ser a prioridade, dado os problemas de fornecimento de energia que a empresa enfrenta, especialmente na cidade da Praia. Ele sublinhou que a prioridade deveria ser a compra de geradores para garantir um fornecimento energético estável. Além disso, o PAICV recebeu denúncias de trabalhadores dos Correios de Cabo Verde e da Estradas de Cabo Verde sobre a aceleração de processos de reclassificação e a entrada de novos funcionários, o que levanta questões éticas e morais sobre a atuação do Governo neste período de transição. O partido apelou à Comissão Nacional de Eleições para acelerar a publicação dos resultados eleitorais e pôr fim a atos considerados ilegais e imorais. O PAICV enfatizou que o Governo cessante deveria estar em modo de gestão corrente, sem legitimidade para tomar decisões que comprometam o futuro do país. Vladmir Silves Ferreira alertou que o partido não ficará em silêncio perante qualquer tentativa de ocupação do Estado durante este período crítico.