Nos últimos dez anos, a corrupção em Cabo Verde deixou de ser vista como um desvio pontual, transformando-se num modus operandi que permeia a governação. As práticas corruptas, alimentadas por redes de favorecimento e cumplicidades, ameaçam a essência do Estado de Direito, que deveria ser uma responsabilidade exercida em nome do povo. A Constituição da República de Cabo Verde afirma a soberania popular e a legalidade democrática, mas a realidade atual questiona a verdadeira aplicação desses princípios. A corrupção não é apenas uma irregularidade administrativa; é uma violação do núcleo ético e jurídico do Estado de Direito. Quando governantes utilizam o poder para obter vantagens pessoais, a democracia e a igualdade perante a lei são comprometidas. A falta de transparência e a prevalência do interesse particular sobre o público criam um ambiente de desconfiança nas instituições. A situação é ainda mais alarmante em um país com recursos limitados, onde cada escudo público deveria ser tratado com responsabilidade. A normalização da corrupção e a impunidade que a acompanha são inaceitáveis e exigem uma resposta firme do novo Governo. Espera-se que haja coragem para auditar, investigar e responsabilizar aqueles que abusam do poder, rompendo assim com um ciclo vicioso que prejudica a nação.