Nos dias 28, 29 e 30 de Maio, realizou-se um Encontro Internacional sobre a Crioulidade em Cabo Verde, promovido pelo presidente da república. O evento reuniu diversas personalidades políticas, académicos e artistas de várias nacionalidades, com o objetivo de refletir sobre a experiência histórica dos povos e suas contribuições para o futuro. No entanto, as intervenções revelaram uma falta de pluralidade, especialmente na representação das experiências cabo-verdianas, com os painelistas alinhando-se a uma única corrente de pensamento predominante na academia. O presidente, atuando como ativista, reiterou a importância do encontro e a necessidade de oficializar a língua cabo-verdiana, apresentando o evento como um projeto da humanidade. Apesar da intenção de compartilhar experiências sobre a crioulidade, o encontro acabou por se transformar em um exercício de reafricanização, com citações de figuras históricas como Amílcar Cabral. Um professor da UniCV destacou que a discussão sobre governança e diplomacia crioula deve ser ancorada em uma estratégia de resistência pan-africana, alertando para o risco de a crioulidade se tornar um folclore inofensivo sem essa base política. As diferenças entre a realidade cabo-verdiana e a dos países caribenhos convidados foram enfatizadas, como a escassez de população e a agricultura limitada em Cabo Verde, contrastando com as economias mais desenvolvidas das ilhas caribenhas. A perda de população e as dificuldades enfrentadas pelo arquipélago contribuíram para uma vida de sobrevivência, destacando a mestiçagem e a ausência de correlação direta entre propriedade e cor da pele, o que é uma realidade distinta em outros contextos atlânticos. O uso generalizado do crioulo em Cabo Verde reflete a complexidade social e histórica do país, evidenciando a sua singularidade em comparação com outras realidades.