O investigador Luís Rodrigues, durante o lançamento do seu livro 'Pobre Não Fala Crioulo', argumentou que a oficialização da língua cabo-verdiana pode ajudar a mitigar desigualdades sociais em Cabo Verde. Ele destacou que a atual hierarquia entre o português e o crioulo perpetua exclusões, com o domínio do português associado a melhores oportunidades profissionais e sociais, especialmente entre os grupos mais favorecidos. Rodrigues mencionou que a percepção de que o domínio do português está ligado a uma situação económica mais favorável é enraizada na sociedade cabo-verdiana, refletindo uma realidade que diminui a identidade dos cabo-verdianos cuja língua materna não é o português. O autor defendeu uma revisão do estatuto das duas línguas, propondo que o crioulo deve ter um papel mais proeminente na educação e na administração pública. O livro, que resulta de uma investigação nas ilhas de Santiago, São Vicente e Santo Antão, visa fomentar o debate sobre a política linguística nacional e suas implicações sociais. Rodrigues acredita que a oficialização do crioulo seria um ato de justiça, cinquenta anos após a independência do país, promovendo uma valorização equilibrada das duas línguas.