Neste artigo, o autor aborda a polêmica em torno da 'indigitação' do Primeiro-ministro em Cabo Verde, levantando questões sobre a interpretação da Constituição da República. Ele expressa estranheza ao notar que pessoas com credibilidade em suas áreas de atuação se sentem à vontade para opinar sobre questões jurídicas sem um conhecimento adequado. O autor menciona que muitos acreditam que o Presidente da República cometeu crimes de responsabilidade ao anunciar a indigitação do novo Primeiro-ministro, o que, segundo ele, demonstra uma falta de compreensão das normas jurídicas. O autor enfatiza que as normas jurídicas são uma simplificação da vida e que não é possível registrar todos os detalhes em um texto legal. Ele argumenta que a interpretação das normas deve considerar o contexto e a realidade social, e que a Constituição, por ser um documento de alto nível de abstração, não pode conter todos os pormenores da vida cotidiana. O autor também faz uma analogia entre a interpretação das normas jurídicas e a representação da Natividade, destacando a complexidade da legislação. Por fim, o autor critica a influência de opiniões mal fundamentadas na governança do país, alertando para o impacto que isso pode ter nas decisões políticas e jurídicas. Ele conclui que é fundamental um entendimento mais profundo das normas e da sua aplicação para evitar interpretações errôneas que possam comprometer a estabilidade política e social em Cabo Verde.