A Ordem dos Advogados de Cabo Verde (OACV) está a atravessar um momento crítico, evidenciado pela baixa participação na Assembleia Geral de 29 de maio, onde apenas 5% dos advogados estiveram presentes. Esta situação reflete uma desmotivação estrutural e uma falta de confiança no processo deliberativo, colocando em causa a legitimidade da OACV como representante da classe. Além disso, a legalidade das deliberações tomadas na assembleia é questionável, uma vez que não cumpriram o quórum necessário estabelecido no Estatuto da OACV. O caso de Amadeu Oliveira, que gerou um confronto simbólico durante a assembleia, expõe ainda mais a fragilidade da independência da Ordem. A discussão sobre a renovação da sua inscrição revelou divisões internas e a incapacidade da OACV em lidar com dissensos. Este conflito não é apenas administrativo, mas também deontológico e político, refletindo tensões mais amplas dentro do sistema judicial de Cabo Verde. Por fim, a situação levanta questões filosóficas e jurídicas sobre a exclusão de críticos dentro das instituições. A falta de respostas claras e a desigualdade de tratamento entre membros indicam um mal-estar profundo no funcionamento da OACV, que pode ter repercussões significativas na confiança pública nas instituições jurídicas do país.