O novo Governo de Cabo Verde, liderado por Francisco Csarvalho, depara-se com um cenário complicado no Ministério das Finanças, onde práticas ilegítimas e contratações duvidosas foram a norma durante a última década. As nomeações de última hora e a utilização de recursos públicos de forma imprópria caracterizam a administração pública, que foi dominada por interesses particulares. O Ministério das Finanças, em particular, é um exemplo de promiscuidade, com a Direção Nacional do Orçamento e Contabilidade Pública (DNOCP) e a Unidade de Tecnologia, Informação e Comunicação (UTIC) a realizarem aquisições de forma não transparente. A contratação do Portal da Transparência, que deveria ser um modelo de clareza, foi feita através de ajustes diretos, violando o Código de Contratação Pública. Além disso, a falta de inclusão da consultoria no Plano Anual de Aquisições (PAA) de 2023 comprometeu a transparência e a eficiência dos processos. A fracionamento de contratos e a falta de legitimidade nas decisões de contratação levantam sérias preocupações sobre a supervisão e controle das autoridades competentes. O diretor Nacional do Orçamento e Contabilidade Pública, José Luís Mendes Semedo, figura central nas contratações, acumula várias funções que lhe conferem remunerações elevadas, o que levanta questões sobre a ética e a legalidade das suas ações. O novo Governo terá um grande desafio pela frente para restaurar a integridade e a transparência na administração pública.