A África do Sul participa do Mundial 2026, mas a falta de apoio de outros africanos, especialmente de moçambicanos, reflete um dilema moral ligado à xenofobia no país. Muitos torcedores sentem que apoiar a seleção sul-africana seria uma traição, dado o histórico de violência contra cidadãos africanos. As memórias de perseguições e agressões ainda estão frescas, levando a um sentimento de repulsa entre os que foram afetados. O jornalista desportivo moçambicano Raimundo Zandamela sugere que o futebol, por sua natureza emocional, pode ser um instrumento poderoso na luta contra a xenofobia. Ele argumenta que a FIFA já promove campanhas contra o racismo e que o futebol poderia ser usado para abordar questões sociais. No entanto, há opiniões divergentes sobre a mistura de futebol e política. Edmilson Numbe, jornalista da Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe, acredita que o futebol deve permanecer separado das tensões políticas e sociais, enfatizando que o esporte une nações. Ele defende que os resultados desportivos devem ser celebrados independentemente do contexto político, embora reconheça a dor da situação atual na África do Sul.