Na segunda-feira, o Tribunal de Sintra condenou Bruno Pinto, um agente da Polícia de Segurança Pública, pelo homicídio de Odair Moniz, um cabo-verdiano de 43 anos, mas aplicou uma pena suspensa de três anos e seis meses. Flávio Almada, porta-voz do movimento Vida Justa, expressou a indignação da comunidade, que vê a decisão como uma injustiça, especialmente em um contexto onde a vítima é frequentemente desumanizada. Almada critica também a coincidência da decisão com o primeiro jogo da seleção de Cabo Verde no Mundial de futebol, sugerindo que a data foi escolhida intencionalmente para desviar a atenção pública. O ativista destaca que o protesto agendado para sábado em Lisboa não se limita ao caso de Odair Moniz, mas reflete uma série de situações que resultam em mortes e na criminalização da comunidade. Ele denuncia que as comunidades dos bairros periféricos são tratadas como áreas onde o Estado de Direito não é respeitado, e critica as políticas que reforçam a repressão e a criminalização da pobreza. O tribunal, ao considerar que Bruno Pinto não agiu por preconceito, afastou a possibilidade de crime de ódio, o que gerou ainda mais controvérsia. A decisão do tribunal, que considera atenuantes para a ação do agente, é vista por Vida Justa como um reflexo do racismo estrutural presente no sistema judicial. A sentença resultou em indemnizações significativas para a família de Odair Moniz, mas a falta de uma condenação efetiva à prisão levanta questões sobre a justiça e a paz na sociedade.