Um estudo recente do World Weather Attribution revela que 45% das cidades europeias estão a bater ou a ultrapassar recordes históricos de stress térmico durante uma onda de calor severa. A análise, que abrange 854 cidades em 30 países, indica que 385 localidades já superaram ou estão prestes a superar os máximos de temperatura de globo e bulbo húmido. Os investigadores destacam que a combinação de altas temperaturas e elevada humidade representa um risco significativo para a saúde pública, afetando especialmente idosos, trabalhadores ao ar livre e crianças. A pesquisa também aponta que a atual onda de calor teria sido praticamente impossível há 50 anos, com temperaturas diurnas e noturnas significativamente mais baixas na mesma época. Além disso, as altas temperaturas noturnas, que dificultam a recuperação do organismo, são agora 100 vezes mais prováveis do que há 23 anos. Os cientistas atribuem essa intensidade ao aquecimento global, resultante das emissões de combustíveis fósseis. O secretário executivo da ONU para as alterações climáticas, Simon Stiell, enfatiza que o calor extremo é um sinal de que as alterações climáticas estão a avançar sem controle, e apela a uma transição mais rápida para energias limpas. A professora Friederike Otto do Imperial College de Londres lamenta a falta de ação rápida para enfrentar essas questões climáticas.