A nova legislatura da II República de Cabo Verde teve início a 18 de Junho, marcada por confusões na designação das legislaturas e na nomeação do governo. A controversa designação da atual legislatura como a XI, em vez da VIII, reflete uma tentativa de alinhar narrativas político-ideológicas, misturando anos de diferentes constituições. Além disso, as negociações obscuras em torno da eleição dos representantes do PAICV e do MpD levantam questões sobre a legitimidade e a transparência do processo eleitoral. No dia seguinte, a nomeação do governo pelo presidente da república foi feita de forma apressada, com a tomada de posse do primeiro-ministro e dos membros do governo a ocorrer poucas horas depois. O presidente insistiu na designação de XI Governo da República, o que levanta preocupações sobre a adesão à narrativa que considera igualmente legítimos os governos de partido único e os democráticos da II República. A relutância em reconhecer o governo como constitucional sugere um desconforto com os princípios democráticos de Cabo Verde, onde os direitos humanos são inalienáveis e o poder deve ser exercido dentro dos limites da Constituição. Essa situação é preocupante, pois reflete uma tendência de ignorar as leis em favor da conveniência política, semelhante a movimentos populistas em outras partes do mundo. Portanto, é crucial manter vigilância sobre as tentativas de contornar as regras constitucionais e garantir que os princípios republicanos sejam respeitados.