No contexto dos 30 anos da CPLP, analistas entrevistados pela Lusa destacaram que o acordo de mobilidade da organização foi comprometido pelos próprios Estados-membros, com ênfase em Portugal. Apesar de o acordo ter sido adotado em 2021, a recente alteração na lei de estrangeiros em Portugal impôs novas restrições à entrada de cidadãos de países lusófonos, exigindo vistos de trabalho ou residência. Fernando Jorge Cardoso, analista português, considera que o acordo de mobilidade é uma das maiores conquistas da CPLP, mas a mudança política em Portugal, com a ascensão do Partido Socialista, trouxe novas limitações. Ele argumenta que Portugal não eliminou o acordo, mas está preso a regras internas e internacionais, como as do espaço Schengen. Outros analistas, como Almeida Henriques e Liberato Moniz, lamentaram a falta de aplicação do acordo de mobilidade, que parece ser utilizado apenas em situações de necessidade de mão-de-obra. Redy Lima, um sociólogo cabo-verdiano, critica a abordagem neocolonial da facilitação de vistos, que favorece a mobilidade para trabalho, mas não para turismo ou visitas familiares. Os analistas concordam que a CPLP deve priorizar a questão da mobilidade nos próximos anos, pois a sua consolidação depende da capacidade de facilitar a circulação de cidadãos entre os Estados-membros. A CPLP, que celebra 30 anos em 2023, inclui países como Angola, Brasil, Cabo Verde, e Portugal, e enfrenta desafios significativos para a implementação efetiva do acordo de mobilidade.