No contexto dos 30 anos da CPLP, especialistas expressaram preocupações sobre a adesão da Guiné Equatorial à organização, argumentando que o país não cumpre os valores fundamentais que a CPLP defende. Elísio Macamo, professor moçambicano, destacou que a Guiné Equatorial não deveria fazer parte de uma comunidade que promove princípios democráticos e direitos humanos. Tutu Alicante, ativista equato-guineense, acrescentou que a adesão à CPLP ajudou a legitimar o regime de Teodoro Obiang, permitindo ao país romper seu isolamento internacional sem cumprir as obrigações impostas pela organização, como a promoção da língua portuguesa e a abolição da pena de morte. A situação social na Guiné Equatorial também foi abordada, com Alicante afirmando que a população não viu melhorias significativas desde a adesão à CPLP. Ele criticou a falta de impacto positivo na criação de instituições democráticas e no acesso a serviços básicos como educação e saúde. Além disso, mencionou que a pena de morte continua a ser aplicada de forma clandestina, com civis sendo julgados em tribunais militares. Os analistas concordam que a possibilidade da Guiné Equatorial assumir a presidência da CPLP seria um golpe na credibilidade da organização. Redy Lima, sociólogo cabo-verdiano, e Liberato Moniz, académico são-tomense, expressaram preocupações sobre a imagem da CPLP e a seriedade de sua missão, considerando que a adesão da Guiné Equatorial foi motivada por interesses financeiros. Adriano de Freixo, especialista em relações internacionais, observou que a pertença à CPLP é mais vantajosa para a Guiné Equatorial do que para a própria organização, permitindo ao país melhorar sua imagem internacional.