António Cruz, diretor do Serviço de Neonatologia do Hospital Agostinho Neto, destacou a importância do reforço dos cuidados pré-natais e do transporte seguro de recém-nascidos prematuros como medidas cruciais para a redução da mortalidade infantil em Cabo Verde. Desde a independência, o país tem visto uma diminuição significativa nas taxas de mortalidade infantil, passando de 108 mortes por mil nados-vivos para 10,8 em 2022. No entanto, o diretor acredita que é possível alcançar uma taxa inferior a dez por mil nados-vivos com melhorias nos cuidados de saúde materna e neonatal. Cruz sublinhou que a maioria das mortes infantis ocorre no período neonatal, especialmente entre crianças prematuras. Para enfrentar este desafio, ele propôs um acompanhamento pré-natal mais eficaz, que permita identificar grávidas em risco de parto prematuro e encaminhá-las para hospitais centrais com melhores condições de assistência. Além disso, a melhoria dos meios de diagnóstico durante a gravidez, como ecografias, é fundamental para intervenções precoces. Outro ponto crítico mencionado foi o transporte seguro de recém-nascidos prematuros de outras ilhas ou concelhos. Cruz defendeu a criação de melhores condições para garantir a transferência segura dessas crianças para unidades hospitalares especializadas, enfatizando que o reforço do transporte neonatal é essencial para aumentar as chances de sobrevivência dos bebés prematuros. O investimento nessas áreas é visto como determinante para continuar a redução da mortalidade infantil em Cabo Verde.