Adélcia Pires, antiga primeira-dama de Cabo Verde, afirmou que a história do país foi moldada não apenas em palcos oficiais, mas também no 'quotidiano invisível' da clandestinidade e do exílio. Em entrevista à Inforpress, Pires recordou os desafios enfrentados durante anos de luta pela libertação nacional, onde a solidariedade entre mulheres se tornou um suporte vital. Com a independência em 1975, ela teve que equilibrar a vida familiar com as exigências do novo governo liderado pelo seu marido, Pedro Pires. Pires destacou que, apesar das dificuldades econômicas e sociais do pós-independência, a resistência continuou em casa, onde procurou dar um exemplo de sobriedade e resiliência. A transição democrática de 1991 trouxe novos desafios, mas também a oportunidade de Pedro Pires assumir a presidência, permitindo que Adélcia desempenhasse oficialmente o papel de primeira-dama. Com mais maturidade e experiência, ela enfrentou a exposição pública de forma mais tranquila do que na juventude. Pires deixou uma mensagem inspiradora para as jovens mulheres cabo-verdianas, enfatizando que o amor e o serviço ao país devem ser práticas diárias. Ela reafirmou seu amor por Cabo Verde e a importância de cada um contribuir para a construção contínua da nação.