Cabo Verde, como outras democracias contemporâneas, vê os princípios da democracia liberal ameaçados. A democracia, que se consolidou na Constituição de 1992, enfrenta incursões que desafiam a crença na primazia do indivíduo sobre o coletivo. A herança do regime de partido único ainda se faz sentir nas instituições e na cultura política, dificultando a emergência de uma sociedade autônoma. A resistência à autonomia individual e a perpetuação de práticas paternalistas criam um ambiente onde a verdade e a justiça são frequentemente comprometidas. A crise da democracia em Cabo Verde é distinta, tendo suas raízes na transição do partido único. A insatisfação com a partidarização do Estado e a crispação política reflete uma luta interna pela legitimidade democrática. A desinformação e a negação de fatos são componentes que ameaçam a verdade, um dos pilares do liberalismo. A narrativa histórica e cultural imposta pelo regime anterior continua a influenciar a sociedade, tornando a democracia cabo-verdiana uma arena de tensões. A fragilidade da democracia em Cabo Verde é exacerbada pela falta de sensibilidade social e pela ineficácia das instituições de fiscalização. O sentimento de impunidade entre certos atores políticos pode levar a um governo que se resiste a ser controlado por outros poderes. Assim, a luta pela verdade e pela autonomia individual se torna crucial para a preservação dos valores democráticos no país.