Sandra Inês Cruz, investigadora e jornalista, foi convidada a participar no Simpósio Internacional sobre o Campo do Tarrafal, onde discutiu o último período do campo como espaço de privação de liberdade. A sua apresentação, que faz parte da sua tese de doutoramento, focou nos esquecimentos históricos relacionados ao campo, mas foi recebida com resistência por alguns participantes, que a consideraram um ataque às narrativas estabelecidas. Cruz destacou a necessidade de ampliar a memória do Tarrafal, mas sentiu que a sua contribuição foi vista como uma ameaça ao discurso dominante. Durante o simpósio, Cruz enfatizou a importância de incluir diferentes perspectivas na narrativa sobre o Tarrafal, que inclui tanto a fase de colónia penal como o período mais recente. Ela argumentou que a falta de contato com documentos e fontes primárias tem levado a inverdades nas narrativas tanto cabo-verdianas quanto portuguesas. A sua abordagem, centrada na investigação acadêmica e na apresentação de factos, contrasta com discursos que muitas vezes ignoram elementos dissonantes da história. Cruz também mencionou que, apesar de não se considerar uma especialista, a sua experiência como jornalista e investigadora lhe permite contribuir para um entendimento mais completo da história do Tarrafal. Ela defende que a preservação da memória do local deve incluir vozes orais e documentais, e que a resistência a novas informações é um obstáculo para o enriquecimento da narrativa histórica. O simpósio foi visto como uma oportunidade para enriquecer o processo de candidatura do Tarrafal à UNESCO, mas a aceitação de novas perspectivas continua a ser um desafio.