Armando Napoleão Fernandes, nascido em 1889 e falecido em 1969, é lembrado como o autor do Dicionário Crioulo-Português, uma obra que, apesar de sua importância, permanece desconhecida para muitos. O dicionário, que compila mais de cinco mil palavras do crioulo de Cabo Verde, foi publicado apenas 22 anos após sua morte, e desde então, os interessados aguardam uma segunda edição que nunca chegou. A obra foi inicialmente impedida de ser publicada devido à conjuntura política da época e, após a independência, passou por várias mãos antes de finalmente ser editada em 1991, esgotando rapidamente sua primeira tiragem. A importância do trabalho de Fernandes reside não apenas na quantidade de palavras que ele catalogou, mas também na forma como ele abordou a escrita do crioulo, utilizando um alfabeto baseado no português, mas adaptado para representar sons que não existem na língua portuguesa. Essa abordagem, embora inovadora, pode ter contribuído para o esquecimento da obra, uma vez que o alfabeto atualmente utilizado para o crioulo segue uma lógica diferente. Além disso, estudos indicam que o crioulo de Cabo Verde é predominantemente derivado do português, com uma quantidade muito limitada de palavras de origem africana. Isso levanta questões sobre a identidade linguística e cultural do crioulo, que, segundo Fernandes, deve ser reconhecido e valorizado. A reflexão sobre o legado de Armando Napoleão Fernandes é, portanto, um convite à valorização da língua crioula e à busca por uma nova edição de sua obra, que poderia contribuir significativamente para o estudo e a preservação da cultura cabo-verdiana.