O Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) anunciou que uma rede de 60 líderes comunitários na ilha de Santiago irá utilizar telemóveis para vigiar e antecipar surtos de saúde pública. O projeto-piloto, denominado 'Guardiões da saúde', revelou uma eficácia sem precedentes na detecção precoce de riscos humanos, animais e ambientais, segundo a presidente do INSP, Maria da Luz Lima. O estudo, que durou dois anos e comparou a ilha de Santiago com o Distrito Federal de Brasília, contou com apoio da London School of Hygiene & Tropical Medicine. A iniciativa, que deverá ser implementada a nível nacional ainda este ano, inverte o modelo tradicional de notificação passiva, permitindo que os líderes comunitários detectem problemas através de uma aplicação de telemóvel. Os alertas gerados são enviados a pontos focais nos serviços de saúde, que validam a situação e tomam as devidas providências. A escolha da ilha de Santiago para a fase experimental deve-se à sua diversidade geográfica, que proporciona uma amostra real da eficácia do sistema. Os resultados mostraram uma aceitação total entre os gestores de saúde, que consideraram a proposta inovadora e apoiaram a sua expansão a todo o arquipélago. O sistema já foi testado com sucesso em São Vicente durante uma tempestade, demonstrando a sua eficácia em cenários de crise. Apesar do sucesso, o INSP identificou desafios para a expansão nacional, como a necessidade de melhorar a qualidade da Internet e reduzir o tempo de resposta dos serviços de saúde após os alertas comunitários.