O aumento da frequência e intensidade dos fenómenos climáticos extremos está a provocar mudanças significativas no mercado de seguros, levando a uma necessidade urgente de adaptação por parte de seguradoras, reguladores e governos. Durante uma conferência promovida pelo Banco de Cabo Verde, especialistas discutiram como garantir que as famílias e empresas permaneçam protegidas face a riscos crescentes e custos elevados. Carla Sá Pereira, da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões de Portugal, destacou que as perdas seguradas devido a catástrofes naturais atingiram valores alarmantes, com uma tendência de crescimento que não pode ser ignorada. Em Cabo Verde, a situação é ainda mais crítica, dado que o país é altamente vulnerável às alterações climáticas. Luís Leite, da Garantia Seguros, enfatizou que a tempestade Erin em 2025 expôs as fragilidades do mercado, revelando que muitas famílias e empresas ainda não estão seguradas adequadamente. O foco agora deve ser na criação de uma cultura de prevenção e gestão de riscos, melhorando a literacia sobre seguros e incentivando a proteção de um maior número de cidadãos. Além disso, a experiência da tempestade Erin alterou a percepção dos clientes sobre a importância dos seguros, especialmente no setor do turismo e do património empresarial. Os especialistas preveem que os prémios de seguros aumentarão à medida que os riscos climáticos se intensificam, mas acreditam que o acesso a resseguradores internacionais pode ajudar a mitigar esses desafios.