O caso de Amadeu Oliveira, que se arrasta há cinco anos, é um exemplo claro das falhas percebidas no sistema judicial de Cabo Verde. Desde o início, o processo foi marcado por decisões controversas e uma pressão mediática intensa, levando muitos a questionar a legitimidade das ações judiciais. Oliveira, que denunciou os vícios estruturais da Justiça, tornou-se um símbolo de um sistema que parece mais preocupado em afirmar sua autoridade do que em garantir um julgamento justo. A percepção de que a Justiça cabo-verdiana está a falhar em inspirar confiança é um tema recorrente nas discussões sobre o caso. Embora a lei deva ser aplicada de forma imparcial, a forma como o caso de Oliveira foi tratado levanta questões sobre a personalização da ação penal e a possibilidade de um ajuste de contas institucional. A divisão de opiniões entre juristas, políticos e cidadãos reflete uma falta de consenso sobre a eficácia e a justiça do sistema. Cinco anos após a detenção de Oliveira, a sociedade continua a debater a necessidade de uma reforma profunda na Justiça. A situação atual, onde metade da população acredita que justiça foi feita e a outra metade vê um ajuste de contas, indica que a confiança na Justiça ainda está longe de ser alcançada. O caso de Amadeu Oliveira não é apenas sobre a sua condenação, mas sobre um sistema que precisa urgentemente de introspecção e mudança.