A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que a epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) pode ser muito mais grave do que se pensava, com estimativas indicando que o número de casos pode ser de duas a quatro vezes maior do que os dados oficiais. A epidemia, que foi declarada há dois meses na região de Ituri, já causou 702 mortes e 1.926 casos confirmados, estendendo-se a quatro outras províncias. A OMS destaca que muitos novos casos estão a ser reportados entre pessoas que faleceram em suas comunidades sem terem recebido cuidados médicos adequados. O responsável pela OMS, Chikwe Ihekweazu, enfatizou a necessidade urgente de melhorar a detecção precoce de casos e o rastreio de contactos, além de garantir que os estabelecimentos de saúde sejam acessíveis e confiáveis. Apesar dos desafios, há sinais encorajadores, como a taxa de acompanhamento de contactos que se aproxima dos 80% e o aumento do número de camas disponíveis para tratamento. Além disso, a OMS está a testar dois tratamentos no local e planeia iniciar um ensaio clínico para uma profilaxia pós-exposição com um antiviral. A situação é crítica, e a resposta das autoridades e dos parceiros internacionais continua a ser desafiada pela rápida progressão da epidemia.